
Ele olhou para o jardim, no ato desesperado de encontrá-la, e encontrou, porém, não no estado em que gostaria. Ela estava sentada no belo divã, sempre localizado no meio do jardim. Ela abraçava os joelhos e mantinha o rosto enterrado neles. "Graças a Deus" ele murmurou antes de correr ao seu encontro. Ele chamou seu nome uma, duas, três, quatro vezes, mas ela não respondeu; a única coisa que fez foi começar a se balançar. O garoto se abaixou ao seu lado, não o suficiente para ver seu rosto, mas o suficiente para escutar seu choro. Não era alto, mas era agudo, sofrido, triste.
Não teve como suportar: num impulso inconsequente, ele a levantou do divã e a abraçou. Forte. Como se daquilo dependesse a sua vida, e por um lado, dependia mesmo. "Você tem que ficar bem" ele dizia "Pra eu ficar bem também". "o que?" ela disse, com a voz ja fraca e abalada "Eu dependo de você. Preciso de você pra ficar bem".
O choro dela pareceu cessar por um momento, mas era apenas aparência: os soluços começaram, seguindo de um choro, dessa vez, alto.
Ela não tinha força nem para abraçá-lo. Os braços dela estavam unidos na frente do próprio peito. "Por que ele me deixou?" ela perguntava, aos prantos. "O que eu fiz de errado?". "Ele não esta mais aqui" o garoto respondeu, mas acrescentou "Mas eu estou e sempre vou estar"
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