sábado, 22 de maio de 2010

"Assim como o ar

Me parece vital" - Capital Inicial

Eu sabia onde encontrá-la. Eu SEMPRE soube onde encontrá-la, e isso me fez rir. Um monitorava o outro, eu pensei. Para mim, aquilo bastava. Conferi no relógio: 7:00 da manhã. Era incrível, cada vez ela chegava mais cedo. Se isso a fazia feliz, ótimo, também me fazia. Eu olhei novamente: calça jeans, all-star, sobretudo grosso e uma possível blusa de maga comprida branca por baixo. Sim, era ela. Ora, e mesmo que ela mudasse a roupa, é claro que eu reconheceria aquele olhar perdido e ao mesmo tempo tempo certo! Um olhar que permanecia em dois cachorros grandes e peludos. Pareciam brincar. Os latidos expressavam euforia, não desconfiança.
Os dias de inverno fizeram com que suas olheiras se aprofundassem na de porcelana. Olheiras iguais as minhas, pensei, e isso me confortou. Essa semelhança entre nóis dois me confortava mais ainda. Caminhei. Corri. Sentei ao seu lado sem nem ao menos perguntar se podia, como eu ja havia feito em "encontros" passados. Afinal, mesmo que ela dissesse que não, quem disse que eu iria conseguir ficar o mínimo de tempo possível sem aquela garota?
Eu me sentei e nem tive tempo de olhar seu rosto (como se eu precisasse. Eu poderia desenhá-lo, mas meus traços tortos estragariam sua perfeição), pois ele logo se escondeu na curva do meu pescoço. Um arrepio percorreu tudo. Seus olhos cederam e como um último ato acordada, ela suspirou. Aah, se soubesse o que aquele ar quente causava em mim...
Lhe beijei a testa e o topo da cabeça. A embolei em meus braços. Tanto tempo que ela cuidou de mim e a única coisa que consegui fazer pra retribuir...
Foi isso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Passaportes