sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Vamos fazer um filme?


Na verdade, não foi bom isso que eu quis. Hoje, por obra do destino, acordei com vontade de assistir um filme. Vontade de deitar na cama, envolta em cobertores e travesseiros, ou até mesmo no sofá. Um pote cheio de pipoca no colo e um belo filme passando na televisão. O duro é que essa vontade sem pretexto me acometeu bem no meio da aula de matemática, enquanto eu me perdia no frio que se passava lá fora, que parecia até visível através da janela. Eu olhava aquele frio como se ele me chamasse, como se ele pudesse me confortar e me acolher. Mas ele não era tão convidativo quanto um filme, um monte de pipoca e um quarto quente. Sinceramente falando, não me importava se era sexta, sábado ou segunda. Se a oportunidade de satisfazer meu desejo fosse possível, eu largava tudo pra realizar essa vontade. Que se dane prova, trabalho ou compromisso. Que se dane responsabilidade! O filme nas minhas mãos, a pipoca no micro-ondas, as cobertas aninhadas, o travesseiro disposto, e eu olhando com lágrimas nos olhos aquilo tudo. Eu não me importaria nenhum pouco se o filme seria romance, drama, suspense, terror, comédia, ou o raio que o parta. O filme estaria ali. Confesso que uma comédia romântica era o que meu ego clamava para essa manhã, que não era triste, que me fazia bem, que tornava o dia nublado e o meu dia perfeito, mas que era, ao mesmo tempo, melancólica. A pipoca podia ser tradicional, de queijo, de chocolate, de baicon, de caramelo até! O cobertor, então! Lã, malha, casimira, seda chinesa! O travesseiro tinha a única exigência de ser macio. Talvez eu até dormisse durante o filme, no meio dele, com o balde de pipoca no chão e minha mão dentro dele. Eu, submersa no cobertor, com a cabeça afundada no travesseiro. Isso também não me incomodaria em nada. A manhã continuaria perfeita. Eu continuaria feliz. E um provável sorriso, que a muito tempo não aparece em meu rosto, brotaria. O fato de que não saber o porquê dessa vontade louca de travesseiro-cobertor-pipoca-filme me acometer não me incomoda em nada também, muito pelo contrário, torna essa manhã mais curiosa do que já está, e talvez seja isso que me atrai tanto nela.

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